Capítulo I: O Retorno
Após o portal ter sido aberto e Luca e Jason terem sidos sugados para ele, Fred consola Martha e os humanos voltam a habitar a Terra como se nada houvesse acontecido. Fred então diz:
– Martha, eles vão voltar não se preocupe. Mas agora eu tenho que te fazer uma pergunta. Você prefere que enquanto Luca e Jason não voltam o tempo passe, ou permaneça correndo normalmente?
Martha responde ainda chorando:
– O que... você quer dizer? Parar o tempo? Mas para que?
– Martha, eu não disse antes, mas esse portal tem uma duração. É de exatamente sete anos, eu poderia parar o tempo e ninguém envelheceria. Bem, eu não posso decidir, essa decisão cabe a um mortal que vive na Terra.
– Não, eu quero que o tempo corra, isso não cabe a mim resolver, mas acho que é a melhor opção.
– Tudo bem. Eu tomarei conta de você durante esses sete anos, eu tenho certeza que Michael também.
– Michael? O pai do Luca?
– Lembra-se daquela luz que vocês viram aqui mesmo, naquele dia?
– Aquela que deixou o Luca e Jason de cama?
– Exatamente. Aquilo era a reabertura do portal, Michael e John estão de volta... e eu tenho certeza que eles vão brigar muito enquanto isso. Devemos ficar longe de confusão durante os próximos sete anos.
– Tudo bem. – Martha então volta a recostar a cabeça no colo de Fred, que não a via como uma mulher, mas como uma filha da qual deveria cuidar.
Sete anos se passam, com muitas brigas e guerra entre Michael e John. Ambos batalhavam como Luca e Jason, uma luta de sangue. Durante um dia de inverno, a luz que arrebatou Luca e Jason uma vez, volta a surgir, trazendo o herói e vilão de volta a vida.
Luca acorda em um navio, parecia ser um navio de carga, de acordo com o que ele levava. Luca se levantou, percebeu que sua roupa estava suja, e deu algumas batidas para tirar a poeira. Percebeu que o navio ia para Nova York, de acordo com um papel escrito em uma das mercadorias.
Luca então voltou a dormir, não sabia onde estava, e nem se já estava chegando, mas resolveu tirar uma soneca. Durante a viagem, o navio deu um tranco que acordou o jovem, era hora de descer, e rápido, por que as pessoas iriam perguntar o que um cara como ele, estava fazendo num navio de carga.
Não havia ninguém nos corredores, Luca correu rapidamente para o convés, onde viu um homem, parecia ser o capitão da embarcação conversando com alguém, algo sobre negócios, nada importante. Luca se abaixou para não ser visto e depois foi para um lado onde pudesse saltar para terra firme.
Já fora do navio, Luca não sabia o que fazer. Então tentou se lembrar onde ficava sua antiga casa, mas não conseguiu, os anos o fizeram perder a localização dela. Então continuou pensando, mas andando em direção das ruas. Ainda pensativo, ele olhou para uma vitrine, e ele viu seu reflexo. Ele se assustou.
Luca havia envelhecido, sua barba crescera e seu cabelo também, ele precisava urgentemente de ir a um barbeiro. Seu rosto estava mais rústico e sua pele mais enrugada, efeitos normais da idade. Então foi andando, e reconhecendo o lugar, ele estava próximo de casa.
Procurou por algo que o fizesse se lembrar mais, até que viu uma padaria, era a padaria onde sempre comprava seus pães de manhã, mas agora melhorada, maior e muito mais colorida. Talvez alguém o reconhecesse lá dentro, mas ele sabia que seria difícil, entrou no estabelecimento, estava com fome, mas resolveu não pedir nada.
Encontrou o padeiro que sempre o atendera, não havia mudado muito, talvez sua pele apenas estivesse um pouco mais enrugada, mas nada que o deixasse sem sua aparência comum. Então perguntou ao padeiro, esperando que ele reconhecesse-o:
– Ei, Manoel, esse é o seu nome não é?
– Sim, eu te conheço? Que estranho, não sei, mas eu acho que já vi esse rosto, mas não estou reconhecendo toda essa barba, e cabelo... o que quer meu amigo? – Disse o padeiro Manoel, ainda observando Luca de perto.
– Eu queria saber, se você tem visto Martha por aqui?
– Essa voz. Luca!! É você?! O que houve?
– Manoel, você me reconheceu, graças a Deus, pensei que seria impossível. Bem, eu passei alguns anos fora, um tanto longe daqui, não me lembro de muita coisa, você pelo menos sabe alguma coisa de Martha?
– Nossa, meu Deus, eu nunca pensei que iria te ver novamente. É claro que eu sei sobre Martha, ela e seu pequeno vêm aqui todo dia comprar pão. Ah, o pequeno é tão fofo. – Disse Manoel risonho.
– Pequeno? Martha tem um filho? Onde ela está?
– Ora, mais é claro, após você ter desaparecido, Martha estava grávida e agora ela está em casa, com aquele cara, qual é mesmo o nome dele?
– Fred!
– Isso, esse nome mesmo. Bem, você quer alguma coisa?
– Não, obrigado Manoel, por tudo. Qualquer dia eu volto.
– Tudo bem, até mais amigo.
Luca saiu da padaria, em direção a casa que agora se lembrava onde era. Ao subir as escadas, Luca viu alguns brinquedos jogados, e a certa distância, ouviu pessoas conversando no apartamento. Ele tocou a campainha, ouviu uma voz dizendo que ia atender, quando abriu a porta o homem quase caiu para trás e então Luca disse sem medo:
– Como vai Fred?
– Luca!!!!!!! Martha venha ver quem está aqui agora! – Disse Fred, feliz.
– Já vou. – Disse Martha enxugando as mãos e indo para a porta.
Ao ver Luca ela quase desmaiou mas resistiu e correu para abraçar Luca. Luca retribuiu o abraço e ela disse:
– Amor, eu senti tanto a sua falta. O Fred tem cuidado de mim durante todo esse tempo, mas não como você amor. –Disse Martha já chorando.
– Acalme-se, ei, eu nem estou tão bonito para você dizer isso tudo, olhe para o meu rosto, meu cabelo.
– Isso tudo não importa, o que importa é que você está aqui, entende? Amanhã vamos a um cabeleireiro para cortar esse cabelo e essa barba. – Martha se interrompeu, e disse, agora com um tom sério. – Luca, depois que você foi embora, eu... descobri...
– Que estava grávida.
– Como você sabe?
– O Manoel da padaria me disse.
– Hmm, bem, ele é seu filho, mas quem o criou foi o Fred, vai ser difícil convencê-lo que você é o pai dele.
– Qual é o nome dele Martha?
– É Ícaro, eu dei esse nome por que eu sei que ele é um menino sonhador, e consegue voar nos seus pensamentos.
– Ele está dormindo?
– Sim.
– Então não vamos acordá-lo, amanhã, depois de eu ter ido ao cabeleireiro e voltado a ser eu mesmo, nós falamos para ele.
Fred e Martha assentiram. Mas Martha indagou:
– Mas onde você vai ficar Luca, ele não pode te ver.
– O porão ainda está vazio?
Martha olhou abismada. – Você vai dormir no porão?
– Sim, pelo menos até amanhã. Onde estão minhas coisas.
– Estão no nosso quarto.
– Só para constar Luca, eu dormi no sofá todo esse tempo. –Disse Fred.
– Tudo bem, eu confio em você Fred. Eu sei que você é um bom amigo. – Uma lágrima escorreu dos olhos de Luca. – E que você não faria nada sequer a Martha, além de protegê-la.
– Nós precisamos conversar Luca, coisas aconteceram enquanto você esteve fora.
– Tudo bem, vamos lá embaixo para conversarmos.
Fred e Luca desceram as escadas, Fred cortou o silêncio dizendo:
– Luca, seu pai e seu tio voltaram, eles estão lutando agora, como você e seu irmão faziam.
– O quê?! Meu pai está na Terra?
– Sim, como você acha que voltou meu jovem? Olha, eu não sei se seria a melhor escolha, mas eu acho que você e seu pai devem se encontrar, você deve reclamar o poder da luz novamente. Com o seu pai vivo, é como se a linhagem retrocedesse e a maior parte do poder vá para ele, e com o seu filho, parte do poder também está indo para ele.
– Eu entendo, então quer dizer que meu pai está com o poder da luz em mãos, o poder que eu tinha até ser, sugado pelo portal.
– Exatamente. Seu irmão vai fazer o mesmo, e Luca, tome cuidado, você está fraco no momento, seu poder não poderá ser usado enquanto você não reclamá-lo novamente. E agora você tem um filho para cuidar, por enquanto ninguém sabe da existência dele, a não ser o pessoal próximo. Ele é o próximo na linhagem.
– Tudo bem Fred, era isso que você queria me dizer?
– Sim.
–Então vamos, eu estou cansado e preciso dormir.
Então os dois sobem, Martha separa um colchão e uma coberta para Luca, e ele leva para o porão, e tira novamente um cochilo, até o dia seguinte.
Capítulo II: Ícaro
Luca acorda, sem muito ânimo. Lembra-se que não pode andar pela casa ainda, o pequeno Ícaro poderia vê-lo. Então ele espera na porta até que se sentiu seguro para sair, felizmente ninguém o viu. Ele saiu um pouco da casa, foi até a padaria e conversou um pouco com Manoel, enquanto comia um pão com manteiga oferecido pelo padeiro.
Depois daquilo, Luca voltou. Encontrou Martha na cozinha, com uma criança ao seu lado. Martha dava comida para a criança, e lhe fazia carinho, reparando Luca percebeu que Ícaro tinha cabelos negros, como os da mãe. Martha olhou para porta, e ao ver Luca se levantou, e disse algo para a criança que ficou na conzinha comendo sozinha. Martha chegou na porta e disse:
– Luca, eu já te levarei ao cabeleireiro, e você poderá conversar com ele, mas não agora, passeie um pouco, Fred te encontrará e depois eu encontro com vocês.
– Tudo bem, onde está Fred?
– Ele está no sofá, dormindo.
Fred surge com uma cara de sono e diz:
– Oi Luca, vamos lá fora, você não pode ficar aqui ainda.
– Então vamos.
Os dois saírem e Martha voltou para a cozinha, cuidar de seu filho. Fred foi andando com Luca sem rumo, e sem nenhuma palavra, Fred se espreguiçou tentando espantar o sono, e Luca parecia pensativo, talvez estivesse pensando no filho e no que falar com ele. Eles ficaram andando, até que Martha apareceu-lhes por trás assustando-os.
Ela disse:
– Então Luca, vamos cortar isso?
– É claro, estou realmente maluco por isso, não agüento mais essa barba que parece que eu tenho cem anos.
Martha os levou até o cabeleireiro mais próxima, ao chegar o dono do estabelecimento se assustou, mas mandou um de seus empregados cuidar daquilo, e o “daquilo” era o cabelo e barba de Luca. Demoraram quase duas horas para cortar aquilo, mas no fim valeu à pena.
Luca então se olhou no espelho, sua pele estava bem mais rústica, seus sinais de idade não haviam se demonstrado muito, mas ainda assim eram visíveis. Seus olhos estavam mais, maduros. Ele estava bem com si mesmo, agradeceu ao cabeleireiro e saiu dali. Já fora ele disse:
– E então Martha, gostou?
– Entenda, você poderia ser o homem mais feio do mundo, eu nunca deixaria de te amar.
– Ei Luca, ficou bom, agora não parece um velhote. – Disse Fred, num tom engraçado.
– Hm, obrigado Fred. E eu também te amo Martha, agora, vamos falar com o Ícaro?
– Sim, espero que ele seja capaz de te aceitar.
– Eu também.
O trio voltou para casa, o menino estava desenhando na sala. Ao vê-lo, Luca o reparou de cima a baixo com um sorriso. O garoto tinha olhos verdes, e tinha um rosto quadrado do pai, ele tinha o olhar sonhador e parecia ser um bom menino. Olhando para ele, Martha disse:
– Filho, você se lembra que seu papai havia saído para algum lugar, mas que iria voltar um dia?
– Sim mamãe. – Disse Ícaro inocente.
– Então, seu papai voltou, eu queria que você o visse.
– É ele mamãe? – Disse Ícaro apontando para Luca.
– Sim, eu sou seu pai Ícaro. Bem, eu sei que você deve ter sentido falta de um pai, mas eu estou aqui agora.
– Não se preocupe moço, o titio Fred cuidou de mim e da mamãe.
– Luca, ele acha que o Fred é tio dele, e realmente foi ele que cuidou de nós todo esse tempo.
– Tudo bem, eu entendo. Então garotão, o que acha de me dar um abraço?
– Eu, eu confio em você. –Disse Ícaro enquanto se levantava calorosamente e seguia para dar um abraço no pai.
Após o abraço, Ícaro continuou e disse:
– Mas por que você demorou tanto para voltar papai? Eu fiquei com saudades. – Disse ele triste.
– Papai teve que ir a um lugar e não podia sair de lá, até agora. Papai nem sabia de você, eu só soube quando voltei.
–... Hmm, tá legal. – Disse a criança meio confusa.
– Bem, então, filho, eu tenho que lhe dizer agora, existem homens maus e eles podem tentar falar com você, não dê ouvidos a eles, eles querem acabar com o papai e a mamãe.
– Eu sei, é o tio Jason não é?
– Sim, mas como você sabe do tio Jason?
– Eu não sei. Eu só, disse.
– Fred, você disse algo para ele sobre o Jason?
– Não. Mas bem, isso não importa, o que vale é que ele vai saber se proteger contra o tio e contra o seu tio Luca.
– Ei papai, olha que legal que eu sei fazer.
Luca olhou para o filho, ele ficou impressionado, o filho estava controlando uma bola de ar, algo como uma mini-nuvem, nas mãos. Luca sem entender, assim como os outros, disse:
– Filho, onde você aprendeu isso?
– Não aprendi papai, eu sei fazer isso desde pequeno.
– Filhinho, mas por que você nunca me mostrou que sabia fazer isso?
– Mamãe, eu queria que o papai visse isso primeiro. – Disse a criança tristonha.
– Ah, filhinho, tudo bem, a mamãe não liga.
– Papai, você gostou?
Luca sem palavras, apenas assentiu com a cabeça. A criança continuou a dizer:
– Eu posso fazer mais um pouco.
Então a bola de ar se transformou em pequenas rajadas, que mesmo sendo daquele elemento, parecia poder cortar alguma coisa. As rajadas eram algo como “afiadas”, os pais e Fred olhavam com estranheza para o fato. Martha disse então:
– Filhinho, vá brincar um pouco no seu quarto.
– Tá bom mamãe. –Disse Ícaro correndo para lá com seu poderzinho nas mãos.
– Que estranho. –Disse Martha.
– Fred, você sabe alguma coisa sobre isso?
– Absolutamente que não. Essa criança tem dominação sobre o ar, algo que eu nunca vi na Terra.
– Eu não sei se isso é bom ou ruim, mas é um poder não é?
– Sim Luca, e deve ser aproveitado como tal. Seu filho aprenderá a manejá-lo sem ajuda, eu tenho certeza.
– E vai usá-lo para o bem, como eu o ensinarei.
– Certo, mas não fique tão empolgado com isso, nós temos problemas maiores a resolver.
– Tipo quais?
– Levar você ao seu pai para ele te devolver seus poderes, e conversar com você seriamente.
Capítulo III: O Reencontro
Fred acordou Luca cedo, com uma sonolência, quase caindo aos pés de Fred, Luca disse:
– Por que você me acordou tão cedo? –Disse ele, bocejando.
– Hmm, talvez por que você tenha que encontrar seu pai? Ou será que deverá achar seus poderes sozinhos?
– Tá legal, aonde vamos?
– Inicialmente, preciso ver se seu pai está com o telefone celular dele, para saber onde ele está, enquanto faço isso, vá trocar de roupa, e fazer as coisas, enquanto estou ali na cozinha.
– Tá, mamãe.
Luca saiu, rindo. Fred pegou seu celular e falou com alguma pessoa no telefone, a outra parecia gritar de alegria do outro lado, Fred até estava afastando o celular de perto do ouvido de tão fortes estavam os gritos. Ao desligar, esperou por Luca, que venho rapidamente ao seu encontro.
– Então, aonde vamos?
– Não se preocupe, ele vem nos buscar.
– Hã?
– É garotão, eu não sei que meio de transporte ele usa, mas está vindo.
Os dois aguardaram por longos e cansativos minutos. Até que uma buzina potente os assustou, ao descerem e fazer com que o barulho parasse, viram ao que estavam se deparando. Era uma Ferrari, vermelha com labaredas, um estilo inestimável de apreciação. Lá dentro um homem de aparência de quase 50 anos, caucasiano, os observava.
O homem saiu do carro, logo que se virou e viu ele, Luca correu e lhe deu um abraço tão forte, que seria capaz de quebrar os ossos de uma criança. O homem retribuiu o abraço, e disse sereno:
– Olá filho.
– Pai, eu senti tantas saudades. –Disse Luca, quase chorando.
– Olá Michael. –Disse Fred, como se tivessem se esquecido dele.
– Sim, olá Fred. Filho, eu também senti enormes saudades de ti, fiquei sozinho todo esse tempo lutando, não só pelo mundo, mas por você, pelo que você fez sacrificando sete anos de sua vida para salvar esse mundo em que vivemos.
– Não foi nada papai, você fez o mesmo.
– Então família feliz, vamos logo com isso? –Disse Fred, impaciente.
– Sim, vamos Fred. –Disse Michael entrando no carro.
Os outros dois fizeram o mesmo, a estrada não foi longa com um carro tão veloz e potente como o do pai. Luca se sentia incrível, dentro daquela máquina. Eles chegaram num tipo de bosque, Luca olhou para aquele lugar, e disse:
– Eu conheço esse lugar, acho que já vim aqui antes.
– Mas é claro que conhece, foi aqui que eu te entreguei o seu cavalo voador.
– Fez bem Fred, o meu filho ia mesmo precisar dele.
– Eu fiz o que prometi, e irei continuar fazendo.
– Ei, do que vocês estão falando.
– Nada. – Disseram Fred e Michael em coro.
– Ah, tudo bem. Então, como isso vai funcionar?
– É simples, eu irei guiar seu pai, para que ele consiga retirar o poder do corpo dele, depois passá-lo ao seu. Você vai ficar quietinho aqui na frente dele.
– Então Fred, diga o que eu tenho que fazer.
– Primeiro, feche os olhos. – Fred esperou até que o pedido fosse atendido. – Agora, se concentre, pense que você é uma bola de luz. Essa bola de luz está presa dentro de algo, como uma garrafa. Ela precisa sair, ela precisa conseguir. – O corpo de Michael começou a se iluminar. – Ela pode sair pela boca da garrafa, siga até a boca da garrafa. –A iluminação foi subindo no corpo de Michael. – Vai, você consegue. Eu sei que você pode, que o poder da luz saia! – Então, do corpo realmente saiu uma bola de luz, era branca e amarelada, oscilava entre as cores.
– Oh. – Disse Luca impressionado.
Michael voltou a si, parecia cansado, mas conseguia se aguentar. Fred continuou a dizer:
– Portanto agora, liberto, poder da luz, eu ordeno que pelos poderes a mim concedidos a um passado distante, que você siga até o herdeiro mais próximo, e possua seu corpo e alma como já fizeste uma vez. Ordeno agora! – A bola de luz obedeceu, entrando no corpo de Luca mais forte do que nunca.
Luca se sentiu mais forte, seu corpo não brilhava, mais a sua “luz interior” voltava, literalmente. Pai e filho se entreolharam, e depois, a Fred. Ele disse:
– Então, está terminado. – Fred suspirou. – Ah, podem ficar aí se quiser, eu volto para casa. Vou deixar vocês botarem 14 anos de papo em dia. – Ele riu, e saiu andando dali para casa.
Michael olhou para o filho, não sabia se sentia orgulho ou outra emoção qualquer. O filho sentia como se tivesse reencontrado a pessoa mais querida da sua vida, e não seria? Talvez, mas essas respostas, só os dois saberiam. Luca então quebrou o silêncio e disse:
– Então, o que houve na minha ausência.
– Eu devia perguntar isso também, mas você não deve se lembrar. O seu tio John, assim como Jason, tentou dominar o mundo, com algumas estratégias fajutas que só meu irmão para inventar. Eu o derrotei, como esperado.
– Isso é bom, nada sobre algo diferente?
– Na verdade não. A gente só lutava, eu nem sabia onde Fred estava, agora quero saber uma coisa mocinho, você e Martha, aquela garota da sua escola, rolou alguma coisa depois que, você sabe, fui dar uma voltinha no portal?
– Pai, ela tem um filho de sete anos meu.
– Sério?! Nossa, eu perdi muita coisa durante esses anos.
– Sim.
– Qual o nome do meu neto?
– Ícaro. Ah, e pai, você sabe algo sobre dominadores de ar?
– Que nome bonito, hã? Dominadores de ar? Por que está me perguntando isso?
– Ícaro consegue controlar bolas e rajadas pequenas de ar. Eu não sei o que significa.
– A única coisa que sei, é que existe um sábio do ar, ele é o único que controla ar no mundo, ele controla os ventos, tornados, e tudo a ver com isso.
– Então realmente existe um dominador, eu pensei que fosse apenas uma lenda.
– E é, mas como tudo na nossa realidade, não é uma lenda, é bem possível que essa também não seja.
– Verdade. Pai, eu tive muito medo de te perder quando te tranquei no portal daquela vez. Pensei que nunca mais o veria.
– Eu também, não sei quando foi usado da última vez, antes de nós, só sei que fomos os que mais usamos em tão pouco tempo.
– É verdade. Então pai, onde você mora?
– Filho, eu tenho uma mansão em Miami, você não quer ir para lá morar comigo?
– Eu não posso, Martha e eu moramos juntos num apartamento, e agora com um filho, eu não posso me separar dela.
– Então tudo bem, eu entendo, responsabilidades são mais importantes agora.
– Exatamente. E então, pai, vamos para casa agora?
– Sim, eu deixo você por lá, e mais uma coisa, se cuide, seu irmão vai voltar com força total.
– Tudo bem, eu já estou acostumado, e principalmente preparado sobre ele.
Os dois voltaram, a viajem novamente rápida durou poucos minutos. Michael deixou o filho na porta de seu apartamento, e se despediu. Luca subiu, percebendo que já era um pouco tarde, entrou na casa e encontrou Fred roncando no sofá, descoberto.
Ele fez um sinal de desaprovação e o cobriu novamente. Andou para o seu quarto, viu uma porta aberta, lá estava Ícaro, sonhando com os anjos, inocente. Luca foi até lá, deu-lhe um beijo na testa, e lhe afagou no rosto, num gesto singelo de carinho.
Depois foi para sua cama, onde Martha também já estava dormindo, se deitou cautelosamente e dormiu, pensando no seu reencontro com seu pai.
Capítulo IV: E o que aconteceu
Luca acordava, agora com seus poderes de volta. Na cozinha, Martha já preparava o café, e o lanche para o filho ir para escola. Luca estava interessado em saber qual era a escola, os amigos do seu filho, entre outras coisas. Mas Martha disse que ele poderia ir com ela quando fosse buscá-lo, já que a criança ainda não se acostumara com a presença do pai.
Luca entendeu. Logo após Martha ter voltado, Fred acorda do sofá, boceja e se espreguiça, havia dormido até tarde, novamente. Foi até a cozinha, onde encontrou Martha e Luca conversando, talvez sobre a criança. Suspirou, e interrompeu a conversa:
– Luca, talvez, se for possível, eu gostaria que você nos contasse como aconteceu tudo lá no... portal, você sabe.
– Não é problema, eu vou contar. Após eu e meu irmão temos sido “sugados” para lá dentro, nós nos separamos.
– Então cada um foi para um lado?
– Sim, bem... Não sei, eu não me lembro, só sei que ele sumiu. Eu me encontrei num lugar absolutamente negro. Eu, flutuava.... É, flutuar é o certo.
– Você se encontrava numa imensidão de escuridão, sem fim. Nossa, deve ter sido assustador, não é amor?
– Eu não senti, exatamente, medo, mas como se algo estranho estivesse me rodeando. Então, depois de um tempo, um bom tempo, eu encontrei uma luz, muito muito distante.
– Então você a seguiu?
– Sim, comecei a “voar” até lá, mas às vezes pensava que nunca iria alcançá-la, parecia tão longe. Mas eu persisti, e continuei a viagem, até que a luz realmente se aproximou.
– Com o que ela se parecia?
– Bem, ela era como um buraco redondo, brilhante, e que havia algo no centro, algo que não podia ver.
– O que era?
– Eu me aproximei, e percebi que era uma paisagem. Então me liguei que aquilo era um portal, e que aquele era um dos lugares daquele portal.
– E então?
– Eu entrei, me senti “humano” novamente. O chão surgiu, era grama, eu estava como num sítio, mas não havia pessoas por lá. Eu só vi animais, e uma casa.
– O que havia lá dentro?
– Bem, a casa inicialmente estava vazia, mas depois eu percebi que havia tudo: luz elétrica, chuveiro, geladeira, e o mais estranho, uma cama com o meu nome. Eu não me recordei do lugar, mas fiquei por lá, uma outra parte estranha, é que a comida da geladeira nunca acabava, não importa o quanto eu comesse.
– Então você se fartou lá, não?
– Na verdade não, lá só havia um lugar para dormir e comer, não havia pessoas, não havia amores, não havia amigos, não havia... Vida.
– Nossa, amor, que experiência triste.
– Agora vem à parte estranha, depois disso não me lembro de nada, é como se minha memória houvesse sido apagada, depois acordei num barco e vim parar aqui.
– Realmente estranho, perca de memória, de novo não Luca?
– Sim, eu já havia tido amnésia quando mais novo.
– Isso sempre te ocorre. Como e onde estará seu irmão? Eu gostaria de saber notícias dele. É estranho ele não ter ainda vindo te procurar.
– Quem sabe ele também não perdeu a memória?
– É verdade, quem sabe.
Já do outro lado da cidade, havia Jason, andando em círculos. Seu tio não estava lá, mas algo, além disso, o perturbava. Então ele disse:
– Onde estará você Alexandra? Onde você se enfiou, eu estou de volta, eu quero que você também volte!
Ele não entendia o porquê não conseguia encontrar seu antigo amor, parecia ter procurado há dias. Uma coisa delatava que ele já havia encontrado ao menos alguém conhecido, seus cabelos estavam cortados e sua barba feita, presumia-se que seu tio ou Érico haviam o acolhido.
Então, distante, surge um carro, Jason o avista e sinaliza. Ele entra, o carro segue até a antiga mansão de Jason. O homem sai do carro, revelando-se ser John, o tio de Jason, e este diz:
– Nada da sua namorada, pelo menos não nessa cidade. E você, achou alguma coisa?
– Não, apenas mais tortura para minha cabeça, era para ela estar com o Érico, aliás, onde ele está, quero falar com ele.
– Ele está no quarto dele, dormindo.
– Eu vou conversar com ele, não se preocupe com qualquer barulho.
– Tudo bem, vá lá.
Jason subiu as escadarias, rapidamente, foi até um quarto onde havia adesivos como “Não entre!”, “Quarto Explosivo”, “Menino-problema a bordo”, entre outros.
Jason bateu com a porta na parede, quase a partindo. Érico se levanta num pulo, ele estava lendo, sem camisa por baixo de uma coberta, Jason disse rapidamente:
– Vista-se, eu não quero ver o resto, e preciso falar com você.
– Tudo bem, você invade meu quarto e ainda tenho que ficar quieto, senhor mandão. Eu já volto.
Érico foi até o banheiro se vestir, e voltou com uma camiseta e calça jeans. Então disse:
– O que quer?
– Você se lembra daquele dia, quando eu sumi?
– Sei, o que que tem?
– Eu quero saber o que houve com Alexandra naquele dia.
– Você e esse assunto de novo. Eu já te expliquei, depois daquilo ela disse simplesmente que mesmo triste, iria encontrar outro, e quando você voltasse pensaria no seu caso.
– Não disse nada sobre lugar, qualquer coisa?
– Não, a não ser que ela tenha deixado mensagem telepática na caixa de espera.
– Pare de ser irônico Érico, eu quero que você nos ajude a encontrá-la.
– E o que vai fazer se encontrá-la grandão? Vai bater no cara que ela estiver?
– Se for preciso, se ele não quiser soltar a caça.
– Nossa Jason, eu te desprezo por ser assim, pensar que mulheres são objetos de “caça”. Mas como eu não sou mais humano, por mim tudo bem, eu te ajudo.
– Ótimo, o que vai fazer?
– Vou dizer onde ela está, óbvio. Esquina da 5ª Avenida com a 34º Oeste. O Número do apartamento é 305.
– Quer dizer que você sabia onde ela estava o tempo todo?
– É, mais ou menos isso. É perto do Empire State, conhece?
– Seu sínico, vou até lá, e depois eu volto.
Jason desceu as escadas, e encontrou com seu tio que ia subindo até o quarto dele, então disse:
– Tio, eu já sei onde Alexandra está.
– Então vamos.
Minutos mais tarde, eles chegaram até um apartamento onde Érico tinha descrito, tocaram a campainha do apartamento e esperaram, até que uma voz masculina atendeu. Jason ficou furioso, começou a gritar com a voz do outro lado, mas foi contido pelo seu tio, que disse:
– A senhorita Alexandra está? É da pizza que ela pediu.
– Pizza? Alexandra! – Invocou o homem. – Você pediu pizza? – Alguns ruídos foram ouvidos. – Desculpe, não pedimos pizza.
– Nem se for de quatro queijos mussarela, com catupiry e frango, além de azeitonas, tomates e algumas linguiças calabresa salpicadas por cima?
O homem pareceu sem resposta, mas rapidamente chamou Alexandra para que buscasse a pizza. Ela desceu, quando se aproximou dos dois, que pareciam estar disfarçados, disse:
– Onde está a pizz... Jason!?
– Olá amor, quem é ele?
– Você acha mesmo que iria ficar sete anos sem ninguém? Eu não sou boba não, ele é o Marcelo, meu namorado atual.
– O que ele faz de especial?
– Ele se preocupa comigo.
– E com a barriga, por que depois que eu falei pizza, e todos os sabores possíveis, como um verdadeiro humano, ele cedeu rapidinho.
– Hum, é por que ele não come pizza a um tempo.
– Chame ele aqui.
– Por quê?
– Por que senão, eu vou chamá-lo.
– Tudo bem. Marcelo venha cá querido.
– E a pizza?
– É sobre isso que estamos resolvendo.
– Ah, então estou indo.
O pobre homem desceu as escadas como um cachorro atrás de um carro. Quando chegou nem com muito tempo para reagir, foi recebido por um soco de Jason que o nocauteou, ele caiu no chão, agora inconsciente. Alexandra olhou surpresa, mas depois se lembrou de quem se tratava o intimidador, então disse:
– Nossa Jason, que forte você. Ai, vamos para casa vamos?
– Vamos sim gatinha, agora! E não me deixe nunca mais, o próximo não terá tanta sorte.
Alexandra riu, e saiu com John e Jason deixando o pobre Marcelo coitado, para trás, inconsciente e com um olho roxo.
Capítulo V: O reencontro
Luca foi até o colégio buscar o filho. Chegando ao endereço dado por Martha, ele viu uma construção enorme, grades altas, portões monumentais, nem se parecia com o colégio que Luca havia estudado, que era pequeno, e Luca nem prestava muita atenção nas aulas.
Luca sabia que o seu destino não iria ser trabalho, pelo menos não um trabalho comum, portanto ele não se dedicou muito aos estudos, simplesmente passou na escola para aprender a ler, escrever, e saber algo mais sobre o mundo onde vivia nada demais.
Viu várias crianças correndo para o encontro dos pais e mães, crianças entrando em carros, até mesmo crianças entrando em helicópteros, logo imaginou o quanto Martha pagava pelo colégio. Então de longe, avistou uma figura pequena, com seus olhos verdes, era Ícaro.
Luca foi até ele, a criança meio que estranhou por ter sido a primeira vez que viu seu verdadeiro pai buscá-lo, mas sabia que não era culpa dele. Ícaro era um menino compreensível, além de tudo era muito esperto, e entendia coisas que crianças da idade dele nunca pensariam.
Eles foram para casa, a pé. Chegando lá, Luca abriu a porta, encontrando um bilhete embaixo. Ele leu: “Me encontre no Soul Graveyard, e terá sua namorada de volta”. Luca se sentiu mal, procurou Martha pela casa, não a encontrando em lugar nenhum. Então disse a Ícaro:
– Filho, fique em casa, eu já volto.
– Espera papai, eu tenho que dizer uma coisa.
– O que foi filhinho?
– Não se preocupe, mamãe está bem.
A criança olhou com a cara mais doce e serena de uma criança para o pai, quase acariciando com o olhar, isso deixou Luca mais calmo, então este respondeu:
– Obrigado filho.
Então ele saiu, no seu coração sabia que as palavras do filho estavam certas. Chegou até o lugar escrito no bilhete, no qual ele já conhecia muito bem. Não havia mudado muito, ainda parecia um lugar morto e sombrio, sem nenhuma planta ou qualquer outra forma de vida. O lugar parecia escuro mesmo de dia.
Luca avistou um homem de costas, e capa preta. Este se virou e disse, sombriamente:
– Olá Luca Forest.
– Quem é você? E onde está Martha?
– Não se preocupe com quem sou eu, já sobre sua namorada, bem. Eu aproveitei que ela havia saído, e que você estava fora, para deixar um bilhete na sua casa, você chegou exatamente no momento em que eu deixei o bilhete, leu e bingo, pensou que ela havia sumido e que eu era o culpado.
– Então quer dizer que ela não está com você?
– Óbvio não? Eu lhe trouxe aqui por que sabia que você também havia voltado. – Ao ouvir essa frase Luca cambaleou. – E precisa ver como você estava, quem era você agora, e também te lembrar que eu existo.
– Você, parece tão familiar.
Ao dizer isso, Luca foi numa rapidez inimaginável ao encontro do homem, que nem teve reação, e tirou-lhe o capuz. Era Jason por trás daquela capa. Ao terminar o movimento veloz, Luca disse:
– Eu sabia.
– Você mudou, sabia?
– Você também, eu nem ao menos reconheci sua voz. Você parece, mais frio.
– E você parece mais maduro, em termos de técnica.
– Por que você me trouxe aqui, você quer lutar comigo?
– Talvez, caso não saiba, ficar naquele mundo trancado causa rancor, e raiva, mas ao mesmo tempo traz a frieza e a habilidade que necessitava.
– Já que deseja tanto lutar, vamos logo com isso, eu quero voltar para casa.
Ouviu-se o barulho da invocação das espadas, Luca e Jason se viraram e se atacaram tão rapidamente que pareciam tigres atrás de suas presas. As espadas se chocaram e depois se separaram, num movimento de desistência. Mas logo a raiva de um deles voltou, e os ataques retornaram.
Luca defendia o mais rápido que podia, parecia não querer lutar, e em seu olhar não havia nada, nenhum sentimento, ele só, lutava. Já Jason parecia estar com o ódio trancado por anos, o que já era verdade, e que naquele momento o liberava em sentimento e força.
Seus olhos pareciam fogo ardente, e suas feições eram de fúria. Mas mesmo assim, nenhum deles vencia, era uma briga de força contra o sentimento, de simplesmente lutar contra a fúria e rancor, de Luca contra Jason.
Luca agora só olhava com decepção para o irmão, como se aquela atitude não fosse levar a nada. Ele então se cansou da situação, e investiu contra a espada da Jason, que não estava esperando pelo contra-ataque e deixou a espada ir para longe.
Derrotado, ele caiu sobre a terra ajoelhado e disse:
– Por que tem que ser assim? Porque o bem sempre tem que vencer o mal? Por quê?
– Porque o mal não tem vez, o ódio não leva a nada além de uma vida sem amigos e sem amores, sem o vital, a própria vida.
– Eu tenho amigos, e amores, eu tenho vida. Você que não a enxerga como sendo o caminho certo, você não entende, e nunca entenderá. Eu ainda irei te vencer Luca, algum dia.
– Não é o caminho certo, você que tem que entender. Você precisa se libertar do mal, ele não faz bem a ninguém.
– Você ainda vai me pagar.
Jason desapareceu, dessa vez sem truques, apenas sumiu no ar, deixando seu irmão olhando para o chão. Luca deixou uma lágrima cair sobre a terra:
– Eu te amo meu irmão, eu só quero seu bem.
Luca voltou para casa, encontrando Martha cuidando de Ícaro, que quando viu o pai disse:
– Oi papai, como foi a luta com o tio Jason?
Luca olhou meio espantado para o filho, como ele sabia que havia lutado, como sabia que fora com seu tio, como sabia de tudo.
– Eu venci filho, eu venci...
– Você encontrou o Jason, Luca? Mas onde? Como?
– Eu te conto os detalhes mais tarde, ele queria me ver. Eu senti o rancor que ele está comigo, ele realmente perdeu completamente qualquer sentimento bom sobre mim.
– Eu entendo. Mas espero que vocês dois voltem a se dar bem, mesmo ele sendo do mal, eu não gosto que vocês dois briguem, acho errado.
– Mamãe, não se preocupe, o tio Jason e o papai ainda vão se dar bem. – Disse a criança enquanto dava um beijo de boa noite na mãe e ia para o seu quarto.
– Martha, que filho incrível que nós temos, ele nos consola.
– Ele é assim desde criança. Foi ele que me ajudou a me recuperar quando eu passava noites chorando por causa de você.
– Desculpe Martha por ter desaparecido. Eu não queria que fosse daquele jeito, eu não queria te deixar sozinho, mas quando vi você sob o controle do meu irmão...
– Tudo bem, eu entendo, você fez isso por mim, pelo nosso mundo, por nós.
– Obrigado por entender Martha.
Eles foram dormir após mais aquele dia atarefado.
Capítulo VI: O Casamento
Sim! Um casamento! Luca e Martha decidiram se casar, já que antes dos acontecimentos que se antecederam eles não tiveram muito tempo para se casar. Principalmente agora com um filho, tudo agora haveria de mudar. Agora sem mais delongas, vamos começar a história:
– Anda Martha! Nós vamos nos atrasar. – Disse Verônica, uma amiga de Martha.
– Eu já vou, estou passando a maquiagem e arrumando a cauda do vestido. –Disse Martha
– Você já está a quase uma hora aí dentro. O Luca já deve estar nervoso.
Trinta minutos antes:
– Ai Fred, eu vou me casar! Com a Martha! Estou tão feliz! –Disse Luca, entusiasmado.
– Sim, parabéns, agora não se esqueça que é a noiva que chega atrasado, e não o noivo.
– Eu sei, só estou colocando a gravata. Pronto! Vamos logo, eu não quero me atrasar para esse dia tão importante na minha vida.
– Ok, vamos. Espero que Martha não demore muito. Ícaro, vamos também!
– Não se preocupe tio Fred, vovô vai me levar. –Disse o pequeno Ícaro.
– Ah ok, você vai com seu avô. Certo, Luca ande, temos que pegar o carro e chegar logo no casamento.
– Tudo bem, vamos!
Os dois tomaram o carro e seguiram para o cartório. Sim, o cartório, eles iriam se casar no civil por enquanto, já que eles tinham outras coisas para cuidar, e não tinham tempo suficiente para fazer uma enorme cerimônia em uma igreja.
Ao chegarem os carros, de Luca e Bóris, eles desceram e foram para a porta. Luca encontrou o mestre da cerimônia a certa distância, e foi até ele. O homem indicou-lhe um lugar para ficar esperando a noiva.
Enquanto isso era possível ver Bóris e Ícaro esperando no fundo a noiva, também se encontrava na linha da frente algumas testemunhas, Sebastian, o padeiro Manoel, entre outros amigos da família. Também havia lá o tio de Martha, o general dos EUA, que arrumou um tempo para a sobrinha e seu casamento. Assim como a mãe da noiva, senhorita Kennedy.
Luca já estava impaciente, Bóris estava mordendo as unhas, e o sobrinho tentava acalmá-lo, sem efeito. Fred estava perto de Luca, ele era padrinho do casamento, estava conversando com Luca enquanto esperavam. Luca e Fred estavam basicamente com a mesma roupa, terno preto assim como a calça, camisa por dentro beje, e gravata preta. Sapato negro, e cabelo com gel para abaixar ao máximo.
Assim, depois de muita espera, surgiu na porta uma figura, que por causa do sol do lado oposto fazia com que a silhueta reluzisse em uma luz forte. A figura de uma mulher, magra, cabelos longos e negros, vestido prateado, sapatos de cristal, brincos reluzentes e uma beleza inigualável.
Todos se levantaram a sua chegada, era Martha em seu auge de beleza. Seu pai estava se contendo para não chorar pela filha, pegou em seu braço, e começou a conduzi-la até seu futuro marido. A cada passo, era como se a luz penetrasse e tentasse segui-la até o fim do caminho. Todos estavam contendo-se para não ficarem boquiabertos.
Ícaro estava sorrindo como sempre, vendo sua mãe tão bonita e cheia de graça. Sua amiga Verônica correu um pouco para chegar perto de Fred, ela era a madrinha do casamento.
Cada segundo pareciam séculos para Luca, ele não sabia o quanto mais teria de esperar para receber de uma vez sua futura esposa e viver “feliz para sempre”. Fred tentou não intervir naquele momento dele, pensou em ficar só olhando enquanto Martha chegava.
Enfim, o momento chegou. Bóris entregou o braço de Martha a Luca, e disse-lhe algumas palavras enquanto dava uns tapinhas em suas costas, depois voltou para perto de Ícaro, pelo que parecia, queria ficar longe de mãe de Martha, talvez tivessem brigado, de novo.
Então, a cerimônia começou, todos se sentaram novamente, exceto pelos que estavam na frente. O mestre abriu o livro e começou:
– Estamos aqui para unirmos esse lindo casal. Luca Forest e Martha Kennedy. Para que essa cerimônia não dure muito tempo, como desejado, Martha Kennedy, faça o juramento caso aceite Luca Forest como seu legítimo esposo.
– Eu, Martha Kennedy, te recebo Luca Forest, como meu marido e te prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe.
– Certamente. Luca Forest, faça o juramento caso aceite Martha Kennedy como sua legítima esposa.
– Eu, Luca Forest, te recebo Martha Kennedy, como minha esposa e te prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe.
– Pelos poderes a mim concedidos pelas leis dos Estados Unidos da América, eu vos declaro marido e mulher! Pode beijar a noiva agora.
Os dois se beijaram, sabiam que aquele seria o momento mais feliz da vida dele, e aproveitaram. Após o longo beijo, Ícaro se levantou, estava carregando alguma coisa. Era uma almofada, ela levava dois anéis, um para Martha e outro para Luca.
Bóris já não se aguentando, deixou uma lágrima cair pelo seu rosto, enquanto Martha e Luca trocavam as alianças. Então após aquilo, Martha e Luca foram correndo para o carro, enquanto arroz voava na cabeça deles e então agora a festa deveria começar.
Os dois tomaram o carro e ele seguiu para um salão de festas. Lá haviam mesas e mais mesas, doces, e um espaço para a dança. Não demorou muito para aquele lugar lotar, as mesas já estavam cheias, os garçons servindo vinhos caros, as pessoas conversando.
Luca então pediu um brinde com seu copo:
– Meus queridos amigos e familiares, estamos aqui hoje para comemorar esta cerimônia onde eu e minha querida e amada esposa agora estamos completamente unidos. Desejo que se divirtam, e que dessa noite não sobre nada além da felicidade e do amor que eu sinto por Martha. Agora vamos dançar!
Toda a galera bradou ouvindo aquele mini-discurso, e então a música começou, casais se formaram e foram para a pista. Martha e Luca não podiam ser diferentes, foram dançar também. Tudo começou com uma música bem lenta, e depois a velocidade foi só aumentando.
Sebastian e Fred não deixavam de conversar. Senhorita Kennedy e Bóris não paravam de se entreolharem. Ícaro havia encontrado um refugio nos doces e guloseimas. Enquanto a música e o vinho rolavam, Martha e Luca conversavam:
– Ai Luca, enfim casados.
– Sim, você sabe que esse é o momento mais feliz da minha vida. Eu sempre sonhei com isso.
– Eu também, é tão lindo isso tudo, o casamento, a união, a festa. Ah, como é tudo tão lindo quando nós estamos com quem a gente ama.
– Sim, não precisamos de Lua-de-mel, você sabe muito bem quando foi.
Martha riu e disse:
– É, não precisamos mesmo. Olhe como temos um filho maravilhoso. Ele é tão amoroso, como eu já lhe disse, é ele quem me consolava quando você estava lá.
– Certamente, eu nunca pensei que conseguiria gerar uma coisa tão linda, amorosa e compreensiva. O Ícaro é tão bom, ele parece ter se livrado completamente de qualquer fonte de mal quando nasceu.
– É, ele parece não ter maldade alguma no coração mesmo. Espero que ele continue assim.
A festa durou mais um pouco. Enfim o DJ trocou a música, e colocou a valsa, logo todos os outros casais se sentaram e passaram a observar Luca e Martha a dançar. Era majestosa a habilidade que ambos tinham em dançar, talvez a agilidade e velocidade que ambos haviam aprendido lutando contra Jason tinha por fim algum retorno bom.
A música seguiu, embalando a todos com seu som. Mas quando menos esperavam, as lâmpadas estremeceram e a luz abaixou, o disco no som pareceu arranhar, produzindo um som ardente aos ouvidos. Então se ouviu uma voz no fundo de tudo:
– EU VOU ME VINGAR LUCA, EU VOU ME VINGAR!
Tudo voltou ao normal, as luzes reacenderam e o som voltou a tocar, todos estavam assustados, exceto Luca, Martha, Fred e Sebastian, que literalmente sabiam de quem era a voz. Luca disse:
– Não se preocupem, tudo vai ficar bem, nada vai acontecer, nem comigo nem com vocês.
As pessoas receberam parte do consolo dado por Luca, mas mesmo assim, ainda era assustador pensar em como alguém teria todo esse poder a tal ponto de fazer um estrutura daquelas estremecer. Martha e Luca voltaram a dançar, meio desajeitados agora, a preocupação tomava lugar na felicidade que havia a alguns minutos atrás.
Eles sabiam a quem deter, só não sabiam como. Agora era uma questão pessoal, mais do que isso, era uma questão de vida ou morte!
Capítulo XII: Histórias do Passado
Luca acordou de dia, seu filho já estava na escola, Martha estava preparando um lanche para ele, esperando que acordasse, e Fred estava no sofá, deitado, lendo um jornal velho. Ele foi até a cozinha, dando um beijo de bom-dia em Martha e dizendo:
– Então, dormiu bem?
– Sim. Amanhã eu vou ter que sair no cabeleireiro, não é por que nos casamos que eu vou deixar de cuidar de mim.
– Claro. Mas, o que isso tem a ver comigo, eu não tenho problemas com você ir ao cabeleireiro.
– Simples, você buscará o Ícaro amanhã na escola.
– Hm, tudo bem. É só isso?
– Sim. – Ela disse, enquanto servia uma xícara de café a Luca.
Fred se levantou, e foi até a cozinha. Se sentou e disse:
– Luca, se estiver cansado amanhã, eu mesmo posso buscar o Ícaro.
– Não precisa. Eu posso fazer isso.
– Hm, você que sabe. Martha, você pode me dar uma xícara de café também? Se não for incômodo, claro.
– Não, não é incômodo de modo algum. Aqui sua xícara.
– Ah, obrigado. Então Luca, não está com medo da ameaça de seu irmão?
– Eu estive pensando isso desde aquele dia.
– Então. O que decidiu.
– Eu tenho que acabar com isso. Ele não pode acabar com a minha felicidade, nem mesmo minha família.
– Certo. Então, depois, precisamos conversar, mais.
– Ok. Mas por que não agora?
– Porque eu vou sair, tomar um ar. Se quiser, pode ir comigo, então já teremos tal conversa.
– Martha, algum problema?
– Claro que não, podem ir conversar, eu fico aqui, até a hora de buscar o Ícaro.
– Certo, então vamos Fred.
Os dois saíram. Fred não estava com uma cara muito feliz, mas também não estava bravo, ou nervoso. Sua expressão era de tristeza. Eles foram andando e andando, pareciam sem rumo. Até que o silêncio entre os dois foi quebrado por Luca:
– E então, o que você tem para me contar.
– Vamos até aquela floresta, lá é um lugar calmo, não terá interferências.
– Ok.
Eles seguiram até lá. A floresta era bonita, tinha árvores altas e magníficas. As flores reluziam em cores de extrema beleza. Até os animais de lá tinha certa tendência a serem mais dóceis. Então, os dois se sentaram, Luca começou:
– E então, o que você vai dizer que pode me ajudar com meu irmão?
– Acalme-se jovem. Ainda temos uma longa história para contar.
– Que história?
– Como você acha que eu e Érico nos conhecemos?
– Eu sempre me perguntei isso.
– Então, iniciemos a história
“Há muito tempo, talvez a mais de 3 mil anos atrás, o planeta estava em paz. Duas forças novas haviam surgido naquele mundo, a luz e a escuridão. Mas ambas não representavam bem ou mal, todas eram boas, assim como seus conducentes.
Havia dois controladores respectivamente de luz e escuridão, seus nomes eram Frederico e Érico. Ambos lutavam para que a paz fosse mantida, e que nada ocorre de mal a ela.
Eles eram grandes amigos, eram quase como irmãos de sangue. Eles controlavam a luz e a escuridão em harmonia, e treinavam jovens para que num futuro, eles (as) fossem os dominadores (as) próximos. Érico treinava em um templo que ficava exatamente do lado oposto da terra do outro.
Fred treinava seus alunos fielmente, mas seu aluno mais pródigo era Kelvin, ele era magnífico na arte da luz, conseguia literalmente conduzi-la no ar. Kelvin era conhecido, e temido, por todos os outros alunos. Mas na verdade, nunca iria fazer mal a nenhum deles. Ele era generoso e bondoso com os demais, era conhecido até mesmo no templo da escuridão.
Mas ao mesmo tempo, no outro templo, vivia outra aluna pródiga. Sua graça, Ângela, mas não façam jus ao nome, pois de anjo nela não havia nada. Ângela era cruel, mas a melhor aluna do templo. Ela seduzia os meninos, e depois o enxotava quando eles se apaixonavam perdidamente, por seus olhos verdes esplendorosos.
Érico não gostava daquilo, e sempre que podia, chamava-lhe atenção e a humilhava. Mas ela contradizia dizendo que era a melhor da classe e nada iria lhe tirar o cargo de próxima mestra da escuridão.
Um dia, Érico e ela brigaram:
– Eu vou ser melhor que você um dia, e vou dominar o mundo!
– Não, a Terra merece alguém que vai manter a paz, não desordená-la.
– Você vai ver, eu irei dominar as artes das trevas, e ninguém mais poderá me mandar.
– Nunca! Se você deseja isso, eu te declaro expulsa do templo!
Os guardas do templo, que nem eram mesmo guardas, eram só os alunos que tomavam conta da sala, levaram a garota até a porta, mas ela se soltou e saiu correndo até a saída do templo, sozinha.
No dia seguinte, em um roxo forte, que parecia ser uma magia intensamente poderosa estava escrito: EU IREI ME VINGAR! Todos do templo ficaram assustados, principalmente aqueles que descobriram sobre a briga do mestre com a garota no momento em que viram a cena, no meio das conversas e intrigas com os amigos.
Érico ficou preocupado. Então decidiu falar com Fred, no dia seguinte. Ele ficou cuidando do templo, e limpando aquela magia que ele soube de quem fora.
Ele acordou pela manhã, assustado, tinha tido um pesadelo. Pegou suas roupas, e usando a magia da escuridão, se tele transportou para o templo da luz. Quando chegou, viu uma cena impressionante: Ângela e Kelvin estavam na janela mais alta do templo, e o templo tinha aproximadamente 400 metros de altura.
Fred olhou para ele, com desprezo e disse:
– O que você fez com a garota? Ela diz que você a transformou num monstro, e que agora vai se vingar como você a criou, acabando com o meu templo.
– Não! Eu nunca fiz isso, ela sempre foi gananciosa, ela quer o poder. O poder para dominar o mundo!
– Eu não acredito que você permitiu que isso acontecesse, eu pensei que fosse meu amigo.
– E eu sou, por favor Fred, acredite em mim.
– Não, suma do meu templo, eu ... – As lágrimas escorriam pelos olhos
– Tudo bem, eu vou.
Érico desapareceu nas sombras novamente. Agora a única coisa que restara era a cena terrível: Ângela seduzia Kelvin até a janela. Ele parecia enfeitiçado. Então, depois de um tempo Ângela lhe disse:
– Me prove que me ama!
– Como querida princesa?
– Se jogue.
– Claro, tudo por você.
Então o menino se jogou, Fred correu, mas era tarde, ele caiu no penhasco que havia entre o templo e o lugar onde estavam. Ângela riu e disse:
– Estão vendo idiotas! É por isso que eu vou dominar o mundo!
Ângela então invocou uma bola de energia (como as de Jason), e a deixou crescer, Fred observava atentamente seus movimentos. Então, ao fim, com uma bola enorme, ela mirou e jogou contra a multidão de jovens. Mas algo aconteceu, Fred pulou na bola, e de lá, saiu uma luz, ela foi crescendo, e acabou por explodindo a bola.
Ângela gritou em desespero. Mas não se deu por vencida, jogou mais bolas, mas era desnecessário, Fred estava caído, no chão. Ele então disse, agonizando:
– Jovens, por favor, não deixem que o mal governe!”
– Então dali Luca, eu não acordei mais. Quando me dei por conta, estava nos céus, onde os grandes dominadores de luz ficam depois de “morrerem” a espera de sua volta na Terra. Mas existe um problema, quando nós realmente morremos, nós não voltamos a Terra, ou menos, nem vamos ao paraíso dos dominadores de luz, simplesmente vagamos com nossas almas. Alguém me salvou, alguém...
– Então, foi isso?
– Não, tem mais uma coisa. Isso só foi uma história que depois você entenderá porque eu lhe contei. Sobre o seu irmão, bem, existe uma magia, antiga como tal história, que tem uma única finalidade: retirar o poder do indivíduo.
– O que? É como se eu tirasse o, por exemplo, meu poder de luz?
– Sim, só que no caso, você teria de transmiti-lo para outra pessoa.
– Certo. Me ensine...
Capítulo VIII: E aí tio?
– Luca, eu vou levar o Ícaro na escola, não se esqueça que você prometeu buscá-lo hoje. – Disse Martha.
– Tudo bem amor, a que horas ele sai mesmo?
– Você pode ir as 5:00 horas. Eu estarei no cabeleireiro, como te disse.
– Tá ok.
Martha saiu com Ícaro. Luca estava somente com Fred em casa, ele começou a se lembrar da conversa que tiveram. Mas ele não queria mais falar sobre isso, já tinha pensado seriamente sobre aquele assunto, já sabia o que fazer. Mesmo assim se aproximou de Fred e disse:
– Talvez não tenha sido mesmo culpa dele.
– É, talvez. Mas agora, não importa, ele se tornou mau, e com isso, eu não posso mais o encará-lo.
– Você já percebeu que ele não tenta ser tão mau quando você está próximo? É quase como se ele estivesse brincando de competir com você.
– Ele gostava de ver quem iria vencer, mas no fim... eu não sei o que houve.
– Vocês deveriam conversar.
– Já tentamos, não funcionou. Eu ainda não acredito nas palavras dele.
– Então tudo bem. Ei, quer um sorvete? Eu vou ali na mercearia buscar algum.
– Sim, claro, como quiser. Me traz um de leite condensado.
– Tudo bem, já volto.
Luca saiu, por entre as ruas, deixando Fred sozinho. Ele tinha mania de conversar sozinho, e dessa vez não foi diferente:
– Ai, por quê? Eu não entendo como você foi capaz disso Érico, nós sempre fomos tão amigos. Depois daquele dia, o mundo se tornou conseqüência daqueles fatos, e por isso nenhum mestre da luz se deu bem com um mestre da escuridão. Eu espero ainda, que dessa vez, a profecia se conclua. – Fred parou, como se estivesse refletindo sobre o que disse. – Sim! A profecia, eu havia me esquecido, é por isso que estou na Terra! Talvez, e se... é! Luca, Jason... vocês não sabem o que o futuro lhes aguarda.
Fred se levantou, e começou a andar em círculos, talvez planejando alguma coisa. Luca comprou os sorvetes, e chegou enquanto Fred estava na mesa, escrevendo alguma coisa, ao ver Luca, ele guardou rapidamente o papel.
– Olá Luca, trouxe meu sorvete?
– Sim... érr, que papel é esse? – Disse Luca, apontando para o papel mal escondido de Fred.
– Que papel? Ah, esse, não é nada, é bobeira minha, não se preocupe. Então, encontrou de leite condensado?
– Sim, e trouxe um de chocolate para eu e Martha dividirmos, ela ama chocolate.
– Hum, depois irei provar. Então, como vai sua vida com seu filho? Vocês conversam muito?
– Ah, sim, ele é muito amigo, ele me anima as vezes. Eu ainda vou descobrir de onde veio tanta sabedoria.
– É, você ainda vai mesmo... bem, a Martha já deve estar chegando certo? Eu vou para o meu quarto, sala, o que seja, e vou deixar vocês a sós.
– Obrigado. Tome aqui seu sorvete.
Luca entregou o sorvete a Fred, ele ainda estava tentando esconder o papel. Ele foi para sala rapidamente, Luca o observou com olhar de estranheza. Fred então, comeu seu sorvete, e voltou a escrever loucamente. Martha chegou na porta, e foi recebida por Luca. Ela viu o pote de sorvete em cima da mesa e disse:
– Awn, você se lembrou.
– E como iria me esquecer do primeiro dia que nos vimos? Seria impossível, nem todas as amnésias do mundo conseguiriam me fazer esquecer de você amor.
Martha e Luca selaram aquele momento com um beijo, e depois se lançaram sobre o pote de sorvete. Nem mesmo Fred estava se importando com o que eles estavam fazendo, estava muito entretido no que estava fazendo, e também sabia que aquele era o aniversário de “primeiro dia que nos vimos”, como diria Luca.
Os três se deliciaram com o sorvete, passar o tempo, era hora de Luca ir buscar Ícaro. Fred continuava os seus escritos sem parar um momento. E Martha estava feliz por aquele dia, cozinhando algo para o jantar. Luca se aprontou e saiu, seu filho amado não podia esperar. Não demorou muito para chegar ao colégio do pequeno.
Seu filho estava o esperando, como sempre, no cantinho do portão. Seu rosto emanava felicidade, talvez ele também sentia que aquele era o dia de seus pais. Luca chegou perto dele, e foi recebido como sempre bem pelo seu filho:
– Papai, oi! Feliz dia de papai e mamãe felizes. É hoje que vocês comemoram o dia que você e mamãe se viram a primeira vez não é?
– Sim filhinho, como sabe?
– Eu só sei. –Disse Ícaro sorridente. – Papai, vamos para casa?
– Sim.
Luca e Ícaro estavam para ultrapassar o portão, quando algo estranho aconteceu. Uma sombra negra se formou na frente deles, impedindo a passagem. Ícaro olhou para a sombra, não estava assustado, na verdade, parecia pronto para aquilo a tempos.
– Olá tio Jason!
– Ahn?! Tio Jason?! Filho, o que você está dizendo? – Disse Luca, desorientado.
Então, o irmão surgiu das sombras, triunfante. Estalou os dedos, e disse:
– Olá irmãozinho? Como está?
– Jason! Seu idiota.
– Quem é este pequeno ser? Não me diga que é...
– É meu filho! Não olhe para ele.
– Você teve um filho com aquela...?!
– Cale a boca tio! A minha mãe não é isso que você está pensando. – Gritou a criança em extrema raiva.
– Cale-se você seu fruto de dois inúteis. Meu irmão, e aquela que ele diz ser sua namorada.
– Jason... saia daqui, não há nada para você. Vá para sua casa, perturbar a sua namorada.
– Eu irei me vingar Luca, você teve um filho, com ela, eu sinto nojo de você, nojo. Olhe para essa criança, ter dois pais como vocês. Eu tenho vergonha de ter um irmão como você.
– Eu tenho orgulho de ter a Martha e meu filho. Você é só uma pessoa sozinha, sem amigos.
– Eu tenho amigos! – Gritou Jason. – Muito melhores do que os seus.
– Tem, tem gente que te teme, tem medo de você, e por isso eles te agradam. – Disse Luca, num tom de lição. – Se for para ter amigos com medo de mim, é melhor acabar com o mundo mesmo. É por isso que você quer dominá-lo, para ter mais amigos que não gostam de você pelo que é, mas pelo que tem. Você se sente incompleto.
– É mentira! – Disse Jason, quase suando, de tanto gritar. –Eles são realmente meus amigos.
– Eu é quem devia ter nojo de você. Vamos filho, não dê ouvidos para isso que você chama de tio.
– Papai, ele ainda vai entender, e não se preocupe comigo, não importa o que aconteça.
Ícaro e Luca desviaram de Jason, que já não tinha mais argumentos, e foram para casa. Jason estava quase entrando em colapso, mas Érico surgiu por trás dele e disse:
– Eu sou seu amigo, não se preocupe, seu tio também é, e sua namorada te ama. Agora vamos.
Os dois desapareceram nas sombras. Quando Luca e Ícaro chegaram em casa, Martha havia preparado um banquete, e Fred até deixou de escrever para se preparar para saborear aquelas delícias, mesmo ainda escondendo o papel. Ícaro vendo o “tio Fred” disse:
– Tio, eu também concordo com isso que você escreve, eles ainda vão entender o motivo de tudo. O destino ainda vai se encontrar com eles.
Fred chamou o pequeno e disse alguma coisa, ele assentiu, e depois se sentou a mesa. Martha e Luca olhavam para os dois, como se esperassem alguma palavra, mas os outros dois só olharam para eles e fizeram uma careta, sorridente.
Capítulo IX: A empregada
Jason chegou arrasado na casa de seu tio. Érico estava atrás dele, tentando animá-lo:
– Ele também não tem ninguém, só aquela namoradinha, e o Fred. Ele não tem nada o que dizer.
– Mas agora ele tem um filho, um filho com aquilo! E eu não tenho. O pior é que o pirralho é atrevido.
Alexandra chegou ao ouvir a voz do namorado chegando. Então logo disse:
– O que houve Jason, por que você está tão abatido?
– Porque o Luca tem mais gente na vida dele do que eu. Ele tem mais amigos que eu.
– Ah, largue de ser molenga! Você sabe que ele não é ninguém, aliás, você também tem amigos. Bem melhores do que os dele por acaso.
– Mas ele tem um filho.
– Hmm, interessante, um filho. Ele deve amá-lo certo?
– Pela teoria, sim.
– Então por que não fazemos algum tipo de coisa com esse filho?
– Tipo torturá-lo...? Ótima ideia.
– Eu sei. Mas como?
– Acho que vou conversar com uma amiga de algum tempo atrás.
Jason pegou o telefone enquanto ouvia Alexandra perguntando sobre que amiga, como se conheceram, etc, por causa dos ciúmes. Ele esperou a pessoa atender e disse:
– Alô. É a Paula? Sim, sou eu Jason, aquele do colégio. É, esse mesmo. Eu vou bem, querida, e você? Hmm, também. Eu gostaria de saber se você está desempregada. É por que eu tenho um serviçozinho ótimo para você. E você vai ganhar mais do que o normal. – Jason riu maleficamente. – Tudo bem, nos encontramos lá, até logo. –Jason desligou o telefone.
– E então? Quem é esta daí?
– É só uma antiga amiga da escola, ela gostava de mim. Bem, o importante é que ela vai fazer os serviços que precisamos. Agora vamos, temos que encontrá-la no centro.
– Tudo bem, eu vou com você. – Disse Érico. – Alexandra, você fica, eu não quero você dando chiliques por causa de ciúmes lá!
– Droga! Eu te odeio Érico.
– Vamos logo então.
Jason se foi com Érico.
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– Ai, eu estou tão cansada Luca. Nossa, trabalhar na cozinha, levar o Ícaro na escola, arrumar a casa, estou exausta.
– Eu também ando meio cansado.
– Ei vocês dois, por que não arrumam uma empregada?
– Ótima ideia Fred, amor, podemos ter uma?
– Tudo bem Martha, mas onde vamos encontrar uma empregada?
– Não sei, quem sabe não tem no jornal, sempre tem anúncios dessas coisas lá.
Luca pegou o jornal, e foi ligando para os números de empregadas que apareceram no jornal. Mas infelizmente, todas já haviam arranjado emprego, ou estavam fora do ramo.
– Que estranho nenhuma está disponível. Bem, quem sabe se tentarmos amanhã?
– Tudo bem. – Martha disse desapontada.
Depois de um tempo, a campainha toca. Luca olha para Martha, em sinal de estranheza, mas vai atender. Uma moça alta, de cabelos ruivos surge na porta, com roupas de estilo, era caucasiana, e usava tênis all-stars. Ela parou em frente a Luca e disse:
– Bom dia senhor Forest, eu soube que você e sua esposa estavam à procura de uma empregada, eu poderia me candidatar ao cargo?
Até mesmo Luca estava boquiaberto com a cena, mas Martha surgiu atrás dele e disse, feliz:
– Claro que sim! Estávamos mesmo precisando de uma.
– Obrigado senhora Forest. Quando começo?
– Você começa amanhã, mas hoje gostaria que você conhecesse a casa, acho que o Fred pode te mostrar. Fred! – Gritou Luca. – Você pode levar a moça pelos aposentos?
Fred resmungou um pouco, mas se levantou e foi até a porta. Quando seus olhos cruzaram com os da linda moça na porta, foi amor a primeira vista. Os dois ficaram sem fala por instantes, senão fosse Luca a dar um pequeno tapa nas costas de Fred, ele nunca teria acordado do transe.
– Qual a sua graça querida? – Perguntou Fred, educadamente.
– É... é Paula, você é o senhor Fred, estou certa?
– É, acho que sim... mas não precisa me chamar de senhor, para você é só Fred.
– Meus amigos me chamam de Paulinha, se você quiser...
– Ah claro, érr, vamos, deixe-me te mostrar a casa. Venha por aqui.
Luca e Martha estavam até meio extasiados com a cena, mas mesmo assim, tornaram a si, e foram ver onde os dois estavam indo. Eles viram os dois andando felizes rindo pelo caminho. Então não se preocuparam. Fred e Paula então chegaram ao quarto de Ícaro, que estava desenhando.
Ele tinha um dom incrível, conseguia desenhar paisagens perfeitas, sem nenhum pequeno erro, mesmo que apagando a todo instante. Ao ver Paula e Fred, Ícaro parou de desenhar e disse:
– Oi tio Fred, essa é a nova empregada?
– Como você ... ah não importa, é ela mesmo. Gostou dela?
– Hum, é. Depois precisamos conversar, tudo bem para você tio?
– Awn, que amor de criança! – Disse Paula indo apertar as bochechas de Ícaro, mas ele impediu, voltando para sua folha.
– Tudo bem Ícaro, seja educado com ela, vamos Paulinha, eu ainda tenho que te mostrar o sótão.
– Tudo bem, então vamos.
Ícaro permaneceu em seu quarto, desenhando, ele aparentava não ter gostado da nova “empregada”. Seu pai abriu a porta e foi até ele, logo dizendo:
– E então filho? O que está fazendo?
– Só estou desenhando papai, desenhando a escola.
– Hum, que legal meu filho. O que você achou de Paula?
– Sabia que iria perguntar, eu não me sinto bem na presença dela, algo está errado.
– O que pode ser meu filho?
– Não sei, só não gosto do que sinto papai. Tome cuidado com ela.
– Pode deixar, mesmo que eu a ache inofensiva.
Luca voltou para cozinha, onde Martha estava mostrando onde se encontravam as coisas para Paula, ele chamou Martha para o seu lado, dizendo por alto o que Ícaro havia alertado. Ela assentiu, parecendo mais cautelosa agora.
A moça continuava com seu olhar puro, sem entender muito o que estava acontecendo ao seu redor. Talvez ela mesma não soubesse o perigo que simbolizava naquela casa. Fred ficou na sala, sonhando sobre ela.
Capítulo X: Desculpas
Luca acordou normalmente. Encontrou Martha na cozinha, conversando com Paula, sobre culinária, ou algo assim. Ele se sentou, sem prestar muito atenção no que elas estavam conversando, apenas deu bom dia e esperou seu café ficar pronto.
Fred estava na sala, assistindo TV, despreocupado. E Ícaro estava se aprontando para escola. Era quase setembro, mês de férias de Ícaro, pois no verão ele e muitos outros da parte norte mundial, não estudavam naquela época.
Luca tomou seu café. Ele não parecia bem, estava amargo, nem ao menos deu bom dia a Fred, ou um “tchauzinho” para seu filho quando saiu. Definitivamente não estava bem. As semanas que passou foram assustadoras, vivia sonhando com o que aconteceria se fosse obrigado a fazer o que havia planejado a seu irmão.
Martha, percebendo isso, se aproximou de seu amado e lhe disse:
– Luca, o que houve? Você parece tão mal. Me conte, talvez eu possa ajudá-lo.
– Não é nada. – Disse ele frio.
– Não tente esconder de mim, diga o que está havendo.
– Tudo bem. Se insiste tanto. Fred me ensinou um jeito de acabar com meu irmão, de uma única vez.
– Isso é ótimo. Mas, por que isto está te fazendo mal?
– Martha, eu amo meu irmão, não conseguiria acabar com ele. E entro em contrapartida toda a vez em que penso nisso. Se eu deixar ele, o mundo pode se tornar o caos, mas ao mesmo tempo, se eu o fizer, vou me sentir culpado o resto dos meus dias.
– Entendo. Amor vou te dar uma dica.
– Ahn? Você sabe como resolver isso?
– Sim, você pode tentar convencer o seu irmão a se tornar do bem.
– Isso é impossível, você sabe.
– Não, não é impossível. Pelo que eu me lembre, seu irmão só se tornou mal, por causa do rancor que sente do pai de vocês. Talvez, você possa convencê-lo a pedir desculpas.
– Ótima ideia. Mas há um problema, e se meu irmão acabar descartando o pedido de desculpas, e tudo der errado?
– Bem, neste caso, não há outra escolha senão...
– Eu entendi. Obrigado amor, isso realmente ajudou, bastante. Mas ainda assim, estou com medo do que está por vir, não se o que pode acontecer. Meu irmão é imprevisível. Eu espero pelo menos conseguir com que ele desista dessa ideia maluca de dominar o mundo.
– Isso seria incrível, mas será que ele realmente quer dominar o mundo, ou isso é só uma pirraça dele, quero dizer, ele só faz isso para chamar atenção.
– É isso que quero descobrir. Meu irmão sempre foi meio assim, ele não é mal, apenas queria ter mais gente do lado dele, eu acho.
– Sim, caso você o encontre, tente mostrar isso a ele. Quem sabe ele não entende e vocês param de brigar?
– Certo, vou cuidar disso. Agora eu preciso ir, vou encontrar com meu pai, tenho certeza que ele vai concordar.
Martha sorriu, vendo os olhos confiantes, de agora seu marido, e o deixou ir. Luca pegou alguns transportes, e rapidamente estava em frente aos portões de uma enorme mansão. Ele foi rapidamente atendido por um mordomo, e entrou na fortaleza.
Seu pai estava num mini-campo, que de mini só tinha o nome, de golfe. Ele dava tacadas enquanto conversava no celular com alguém. Mas quando viu o filho chegando por entre as portas, arrumou uma desculpa para quem estava do outro lado da linha e desligou.
Foi rapidamente até seu filho, lhe deu um abraço apertado, e perguntou como ele estava. Logo já estavam sentados na mesa de uma enorme sala de estar, conversando. Luca interrompeu por um instante a empolgação do pai, e disse:
– Pai, eu não vim aqui só para te ver. Eu vim para conversarmos.
– Mas não é isso que estamos fazendo?
– Sim, mas, é sobre o Jason.
Michael franziu a testa, mas deixou o filho continuar.
– Bem, você sabe que ele só se tornou mal por que vocês dois brigaram quando ele era mais jovem.
– Eu não brigue... – Luca cortou novamente o pai.
– Pai, sabemos que vocês tinham uma rixa, não tente esconder. – Michael assentiu. – Bem, e você sabe que ele anda causando muitos problemas, e eu não gosto de brigar com ele.
– Mas sempre é assim. Luca, vocês sempre vão brigar, esse é o destino certo de dois dominadores opostos. Você é um dominador de luz, e ele um dominador de trevas.
– Mas nem sempre foi assim. Fred me contou que ele e Érico, no início, eram amigos, e ambos eram dominadores opostos.
– O caso deles foi o primeiro. Depois tudo desandou e eles brigaram. Pelo que me lembre, a partir daí as guerras entre os dominadores se iniciou, e assim foi até chegar em vocês dois. E não vai mudar, não vai.
– Pai! Nunca diga nunca, eu quero tentar. Se você tentar se desculpar com o Jason...
– O quê?! Me desculpar?! Pelo quê?! Ele é quem foi um garoto muito mal, e que nunca respeitava as obrigações que tinha. Ele há de perceber que o errado é ele, não eu.
– Pai, eu vi tudo antes de ir parar naquele portal, Jason me mostrou todo o passado, o porque ele havia se tornado assim. E você não foi santo naquele tempo, você sempre brigava com ele, as vezes até, sem motivo!
– Ah, você que pensa que foi sem motivo. Eu não vou ajudar, não vou me desculpar com aquele moleque, ele que aprenda a me respeitar. Enquanto isso, vocês terão de lutar, sim! E sem reclamar, esse é o seu papel agora Luca, e isso não pode mudar.
– Tudo bem. Se não quer me ajudar, eu também não preciso, eu vou para minha casa, me esqueça, não me ligue, não tente mais falar comigo, até que mude esse seu jeito egoísta.
E assim saiu Luca da mesa em direção a porta. Seu pai tentou segui-lo, mas Luca o parou e saiu de lá o mais rápido possível. Ele estava bufando de raiva, seus olhos estavam vermelhos, e ele estava explodindo em pensamentos. Ele não conseguia parar de imaginar o quanto seu pai foi egoísta, em lhe negar ajuda.
Voltou para casa, bateu a porta, Martha e Paula se assustaram, Fred tentou pará-lo, mas Luca o empurrou, o fazendo bater contra a parede. E então ficou em seu quarto, trancado. Todos estavam abalados pela cena, ficaram travados, sem saber o que fazer.
Depois voltaram a seus afazeres, mas ainda sem ação sobre aquilo. Martha buscou Ícaro, que percebeu o clima tenso no ar, e logo disse:
– O que houve com meu pai?
– Ele... surtou, ele está no quarto... – Disse Paula, arrumando a cozinha.
– Tio Fred, você está bem depois da pancada na parede?
– Ei, como você sabe que eu dei uma pancada na parede?
– Olhe para ela.
Todos se viraram, e não haviam percebido que o empurrão de Luca foi tão forte, que foi capaz de deixar o local com a marca do corpo de Fred, parte da tinta saiu, e parede também recuou alguns centímetros.
– Ah... tudo bem, eu estou bem. Você sabe.
– Certo, mamãe, eu vou ir conversar com meu pai, tudo bem?
– Vai lá meu filho, converse com ele, tente acalmá-lo.
Martha soltou Ícaro, que deixou a mochila no sofá e abriu a porta (algo que ninguém havia tentado, pensavam que Luca havia trancado), e depois sentou na cama, onde seu pai estava olhando para o teto, mas ainda estava um pouco vermelho de raiva.
– Papai, não se preocupe com o vovô, ele vai ceder alguma hora.
– Sua mãe te contou?
– Não, eu sei, só sei. Bem, ele só ainda está com o orgulho ferido. Mas ele ainda vai pedir desculpas para o tio Jason.
– Eu não sei como você descobre essas coisas, só sei que é muito bom. Obrigado filho por dizer isso, realmente as suas palavras me confortam. – Disse Luca, com olhar terno.
Os dois se abraçaram, e depois Ícaro conseguiu fazer seu pai se levantar e pedir desculpas a Fred, pelo ocorrido, e aos outros por ter deixado todo mundo tão abalado.
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